Essa é a fachada da Câmara Municipal de Belém, o local onde trabalham os vereadores, representantes legítimos eleitos pelas pessoas que moram (e/ou votam) em Belém do Pará.
Hoje, dia 28 de junho de 2010, fui convidada para participar de uma sessão especial desta Câmara sobre o problema que envolve o "Lixão do Aurá", que na verdade é, ou deveria ser, um aterro sanitário onde deveria existir um Centro de Triagem e Compostagem de resíduos de Belém e da região metropolitana, mas o que existe lá é um grande depósito de lixo a céu aberto sem nenhum cuidado de armazenamento. E o pior: o prejuízo fica para os catadores, que além de trabalharem em situação degradante, não recebem nenhum tipo de assistência ou benefício da Prefeitura, ente público competente para administrar a cidade (e o lixo).
Na tribuna, Vereador Carlos Augusto, muito empenhado na solução efetiva do problema. Na verdade, o Vereador possui um estudo muito bem elaborado sobre a questão do aterro sanitário do Aurá, tendo inclusive reunido importantes informações sobre a forma como tem sido explorada a capacidade de armazenamento do Aterro.
Durante toda a discussão no plenário nos mantivemos atentos. É claro que eu não poderia deixar de levar Sr. Romário, a liderança mais atuante de toda aquela região. A única liderança que fala com propriedade porque conhece e convive com todas aquelas pessoas diariamente. Escutamos a todos os discursos, mas tivemos nosso momento de subir à tribuna.
Esta sou eu. Tomei exatos 5 minutos da atenção dos presentes no Plenário Lameira Bittencourt. Primeiro justifiquei minha presença. Através do Programa Atitude acompanho e remeto toneladas de alimentos e outras doações para todas as comunidades do entorno do Lixão, isto é, Santana do Aurá, Jardim Nova Vida e o Lixão propriamente dito, além da Ocupação Carlos Mariguella com a creche Filhos do Aurá que atende crianças filhas de catadores. Pedi que, não obstante todo o debate, que os presentes se comprometessem com a sua vontade, que todos se empenhassem cada um com a sua parcela de contribuição para que uma solução seja encontrada e que o tom do discurso não se sobrepusesse a real necessidade de ação. Foi a primeira vez que tantas lideranças daquela região se reuniram num plenário na Câmara dos Vereadores.
É claro que ele subiu na tribuna: Sr. Romário. Que orgulho me deu em assisti-lo! Deste eu nem preciso falar. Disrcursou com todo o conhecimento que adquiriu ao longo dos 10 anos de trabalho comunitário, falou com o conhecimento de quem sofre junto com as pessoas que sentem a dor do esquecimento. Poucos têm o amor e a dedicação de Sr. Romário, e eu e todos nós que fazemos o Programa Atitude somos testemunhas do lindo, digno e incansável esforço deste homem.
No momento em que o Sr. Sérgio Pimentel, Secretário Municipal de Saúde naquele ato representando o Prefeito de Belém Duciomar Costa, questionei uma série de coisas. A versão da Prefeitura é a seguinte: A taxa de coleta de lixo é paga em conjunto com o IPTU que, segundo Sérgio Pimentel, é prejudicada em razão do alto índice de inadimplência. Ele diz que o município usa recurso de outras fontes para bancar a coleta domiciliar de lixo. Vejam bem: a coleta. Segundo o Secretário, só a coleta custa aos cofres públicos R$ 70 milhões por ano.
A questão é que eu estava lá e anotei tudo. O vereador Ademir Andrade questionou ainda sobre a devastação de uma reserva ambiental que protegia o pequeno vilarejo de Santana do Aurá. O Secretário Sérgio Pimentel afirmou que a responsabilidade sobre o Lixão é de toda a região metropolitana, incluindo as prefeituras e o Governo do Estado, e que, ENQUANTO NÃO HOUVER ESFORÇO COLETIVO POR MEIO DE UM CONSÓRCIO METROPOLITANO DE TODOS OS ENTES ENVOLVIDOS, não haverá solução.
A verdade é que, por dia, Belém despeja 1.300 toneladas de lixo no Aterro Sanitário do Aurá, e sendo portanto o maior "depositário" do Lixão do Aurá sugeri que a Prefeitura de Belém tome para si a INICIATIVA da proposição deste consórcio.
De tudo o que foi dito e feito nesta manhã de segunda-feira, 28 de junho - dia em que o Brasil jogou partida decisiva da Copa do Mundo às 15:30h - foi decidido, às 13h, que será formada uma Comissão para discussão e busca de soluções para a questão do Aterro Sanitário do Aurá da qual faço parte, e que no próximo dia 06/07/2010 essa comissão se reunirá na CMB.
Sim, eu faço parte dessa luta por que sinto a dor daqueles que sofrem com a doença e com a falta de assistência. É meu dever de cidadã, é a minha forma de contribuir, de intervir nessa triste realidade.
Espero que o pouco que posso fazer ajude de alguma forma.
O importante é sair da inércia.
O importante é ter ATITUDE.

2 comentários:
Diversos estudos já apontaram que o aterro em pouco tempo não suportará mais a demanda recebida hoje e que se deve procurar outro lugar para “depositar” o lixo.
A questão é: E as pessoas daquela área que sobrevivem do lixo, como ficarão? São 2 pesos e 2 medidas, muita gente tira o seu sustento desses dejetos, no entanto, sabemos que a área está entrando em colapso inclusive podendo vir a contaminar os mananciais do “lago Bolonha” que abastece Belém e Ananindeua.
A solução é realmente é criar alternativas para que essas pessoas ganhem o seu sustento, sabemos que é difícil, são pessoas rudes, ignorantes (isto no sentido de desconhecimento) e muita das vezes conformadas com o destino lhe já foi traçado.
A esperança está em investir nas crianças para que elas não herdem dos seus pais esta sina de sobreviver do lixo, por isso implantar escola estruturada e cursos profissionalizantes na área é muito importante, pois sabemos que a distância e muitas vezes a falta do dinheiro do ônibus faz com essas pessoas se isolem naquele mundo, se é tão difícil que elas cheguem até a gente, então vamos chegar até elas, quando eu digo “vamos” falo dos entes públicos de um modo geral, a região no entorno do lixão parece literalmente o fim do mundo e não um lugar que fica a apenas 19km da Capital. Essa dificuldade de locomoção é facilmente percebida na região, basta conversar com uma criança e perguntar o que ela quer de presente, ela vai responder: uma bicicleta, pra que? Pergunta-se: pra que eu possa ir a escola. Praticamente todas respondem isso.
Sabemos que quando o assunto é educação o resultado é coletado em longo prazo por isso tal iniciativa não pode ser um afã passageiro proveniente de uma motivação eleitoreira e sim de um real desejo de mudar uma sociedade mesmo que não se ganhe os méritos do resultado, ou seja, mesmo que tal esforço não seja transformado em votos.
Fica a dica!
Jamylle,
O Aterro Sanitário do Aurá está sim à beira do colapso. Talvez por isso esse esforço em criar a discussão em torno do assunto.
A questão dos trabalhadores que sobrevivem da catação foi abordada, assim como outros assuntos que não esmiucei no texto do blog (até pra não cansar o leitor) mas foram colocadas em discussão.
Chegamos à conclusão de que é necessário PROJETO. Inclusive a parte que intervi sugerindo que a PMB tomasse a iniciativa do Consórcio.
Concomitante ao projeto de reciclagem e/ou outro tipo de beneficiamento, deve-se investir em políticas sociais de inclusao das crianças da região, com creches e escolas. Uma solução a longo prazo? Sim, mas é preciso começar JÁ!
Independente de uma suposta motivação eleitoreira não devemos nos furtar a participar desta tentativa, porque nossa intenção sempre foi ajudar essas comunidades com mais que alimentos e outras doações. Queremos que a vida delas melhore realmente.
E tudo o que podemos fazer é usar esse conhecimento e essa experiência para somar esforços em nome do bem comum.
Obrigada pela dica.
Bjos
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