sábado, 29 de maio de 2010

A vendedora de pupunhas

Dizem que somos um País democrático, é mentira! Não existe democracia quando tantos não tem o que comer, enquanto outros moram em palácios de vidro. Sou escrava dos meus sentimentos e não consigo me livrar da responsabilidade HUMANA que todos nós deveríamos ter pelos outros. Carrego comigo a responsabilidade assumida quase que diariamente quando conheço mais uma comunidade carente, mais uma história de jovens desperdiçados em semáforos, mais uma mãe sem dinheiro para comprar comida para os filhos.

Dia desses eu parei o carro para comprar pupunha. Eu nem queria, fiz só para ajudar uma menina, uma linda indiazinha de feições finas, aparentava ter uns 7 anos de idade. A garotinha carregava uma vassoura com saquinhos engordurados de pupunha. Meu Deus, aquela linda garotinha tão frágil, mãoszinhas pequenas que de vez em quando levava ao rosto sujo de suor, estava vendendo pupunhas. Menina em idade escolar, por certo na fase de ser alfabetizada, estava alí no sinal, vulnerável, sujeita a todo o tipo de perigo num sinal de trânsito. Como eu queria conversar com ela, com a mãe dela, dar uma escola, uma casa digna, alimento, enfim mudar a vida dela! Eu queria fazer alguma coisa para que ela não se tornasse mais uma pessoa com um vida de sofrimento, dor... Chorei sozinha dentro do meu carro, tomei para mim o cançaso e o calor que aquele sol causaria na criança, e de repente me dei conta que isso tudo é culpa de homens que dizem representar os interesses do povo, quando na verdade representam apenas os próprios interesses. Quanta revolta existe dentro de mim porque sou sensível a dor dos outros, porque não suporto o abandono e não me conformo em ver o mundo como está. Quanto sofrimento passa por mim por causa disso. Eu não queria sentir isso, não queria me sentir responsável pelos outros que eu nem conheço, mas eu não consigo. Queria ser indiferente, como tantos são. Queria me acostumar a dizer que isso é culpa deste ou daquele, mas não consigo. Eu quero eu fazer, eu agir, eu tomar atitude. Eu não desisto de tentar. Por isso o Atitude, por isso essa insistência que me inquieta a alma, que me tira a paz e que me faz parar num sinal duas horas da tarde, sem pensar em nada, apenas naquela criança, a vendedora de pupunhas., tão delicada criança, tão singelo olhar, me olhando, me matando por dentro. Eu não sei ser forte pra isso, e me desculpem o desabafo. Eu prefiro ser eu, assim, desconstruída e absolutamente impotente, incapaz, fraca. Porque a verdade é que eu não posso nada, eu só posso pedir que ajudem, eu só posso escrever da dor que eu sinto e pedir a Deus que mande anjos para nos proteger. Nos proteger dos homens que estão por vir...

9 comentários:

Hélder A. disse...

É triste quando nada se pode fazer e ter tanta vontade de se fazer... É triste países como o Brasil, Venezuela, etc., que tem TUDO! terem deixado que tanto povo esteja sofrendo Meg... Como é que isso é possível?? países como os nossos que tem TUDO para que TODOS tenham TUDO!! e tantos não tem absolutamente NADA....!!

Anônimo disse...

Perfeito! lindo texto, lindo os sentimentos que transbordam dentro de você.
Toda inconformação gera mudança!Nunca esqueça isso. E você faz a sua parte a cada comunidade que você conhece, pois você torna público para todos atráves do ATITUDE o que os homens que dizem representar o povo não querem ver. Será que ao parar no sinal um desses representantes pelo menos se dão ao trabalho de abaixar os vidros de seus carros luxuosos para comprar a pupunha para que pelo menos encurte a estadia de uma criança exposta ao sol e aos perigos das ruas?
Muita mudança você já consegue fazer com suas ATITUDES majestosas, tenho um orgulho que não cabe dentro de mim de você.
Que Deus te faça forte para que consigas fazer muita coisa boa pelas pessoas que conhecemos todos os dias nas comunidades.
Beijos da Cunhã.

Meg Barros disse...

Helder, como os homens fizeram isso com seus semelhantes?! Como? Como!...

Meg Barros disse...

Ah Cunhã, vc é minha companheira. Agradeço muito a Deus por ter colocado anjos tão lindos na minha vida, como é o seu caso.
Estamos juntas.

Suzi disse...

Puxa, Meg, lindo teu texto! Me tocou mesmo! Tomei a liberdade de reproduzir em um dos meus blogs... se quiseres passar por lá! http://suzicns.blogspot.com/2010/05/legal.html

Parabens por esse coração tão sensível e que Deus sempre permita que a realidade te toque para poderes agir em prol dos outros!

Meg Barros disse...

Oi Suzi!
Fique à vontade querida, à vontade.
Obrigada pelo carinho.

Anônimo disse...

tú é muito demagoga , só memsmo quem não te conhece da CIA atletica cai nessa.

Newton Costa disse...

Compartilho a mesma inquietação ao ver certas coisas que não deveria existir em um país tão rico!

Pensava que somente eu era o "ET" em sofrer o sofrimento alheio. Em chorar no carro!

Queria ter a atitude que você tem. Não sei se um dia terei coragem para sair da minha zona de conforto e poder fazer algo para com aqueles que tanto necessitam.

Posso dizer que tenho tudo, mais infelizmente exite um vazio que ainda não foi preenchido, um ardor profundo que dominou meu coração, um chamado que é difícil de acreditar e assimilar.

Espero que tudo que você faça seja realmente do coração. Não deixe nada interferir nessa jornada, pois muitos se corromperam!

Que Deus te abençoe sempre.

Newton Costa

Meg Barros disse...

Newton, somos todos Atitude, todos queremos tocar o mundo e transformá-lo com as próprias mãos. Essa vonttade - em mim - só crece, confesso, cada vez fica maior.
Tento controlar porque sofro todo tipo de preconceito.
Vc pode sim fazer muita coisa. Assista ao Programa Atitude e vc vai se emocionar, e vê como é fácil ajudar! Esse vazio que vc sente vai embora! No lugar ficará uma sensação de PAZ sem igual.
Vc é meu convidado a participar do Atitude!
Quando vc diz que muitos se corrompem, não se engane, eles NUNCA pensaram em seguir outro caminho. Já entraram para a política pensando neles próprios.
Quem sente o que sentimos não se corrompe.